31 de outubro de 2011

CPM22 - Tarde de Outubro

Essa banda costuma gerar controvérsias e alguns xingos de "emo". Bom, eu gosto bastante. Sinceramente acho que foi a última boa banda de rock nacional. Ou pelo menos a última banda aceitável.




Peguei minhas coisas fui embora
Não queria mais voltar
Eu nunca quis presenciar o fim
Há dias que os dias passam devagar
Tudo se foi nada restou pra mim

Por isso estou aqui agora
Vou embora sem pensar
No que ficou pra começar ali
Mas eu só tinha algumas horas pra voltar
Tudo se foi, nada restou pra mim

São coisas que somente o tempo irá curar
Se for para nunca mais te ver chorar
São coisas que somente o tempo irá curar
Se foi tudo vai passar

Peguei minhas coisas
Não queria mais voltar
Eu nunca quis presenciar o fim
Há dias que os dias passam devagar
Tudo se foi, nada restou pra mim

São coisas que somente o tempo irá curar
Se for para nunca mais te ver chorar
São coisas que somente o tempo irá curar
Se foi tudo vai passar
Tudo vai passar
Tudo vai passar




Imortal e histórico

No final da década de 90 o Grêmio revelou ao mundo um jogador de enorme talento e habilidade. Esse jogador tinha os dentes grandes, sorriso alegre, era conhecido por "Ronaldinho Gaúcho" e vê-lo com a bola nos pés era quase como ver as histórias dos ídolos do passado materializadas em campo. Seria ele o novo Pelé, o novo Garrincha? Talvez em seu auge tenha sido o atleta contemporâneo que mais se aproximou dessas lendas. Como acontecia com todos os nossos craques na época (e acontece ainda hoje em escala só um pouco menor), Ronaldinho sofreu assédio europeu e não resistiu por muito tempo. Acabou forçando sua saída, dando as costas ao clube que lhe deu condições de aparecer para o mundo.


Mas essas saídas forçadas acabam caindo no esquecimento por boa parte da torcida. Acabamos por nos lembrar mais dos dribles, dos gols, da magia... e principalmente da falta que isso nos faz. No começo desse ano, Ronaldinho anunciou que voltaria ao Brasil, e o Grêmio anunciou que traria de volta seu filho pródigo. E novamente Ronaldinho apunhalou o tricolor pelas costas. Após a negociação mais teatral da história do futebol, com 3 clubes fazendo um leilão aberto pelo jogador para deleite da mídia, Ronaldinho assinou contrato com o Flamengo e iniciou uma espetacular campanha com a camisa rubro-negra.


O jogo contra os cariocas era aguardado com ansiedade pela torcida gremista. No primeiro turno, no Rio de Janeiro, vitória do Mengão, 2 x 0, com gol de Ronaldinho. Pior não poderia ser para os tricolores.


No returno, os times vivem momentos distintos na tabela - o Flamengo brigando pelo título e o Grêmio apenas sonhando com uma vaga na libertadores. Mas alguns jogos valem mais do que qualquer aspiração na tabela, do que qualquer campeonato ou vaga. Alguns jogos são universos completos em si mesmos. E hoje vimos um desses jogos, daqueles que a gente vai lembrar e contar para os netos.


A torcida compareceu em peso, disposta a mostrar todo o "carinho" por seu antigo ídolo. O Olímpico era um caldeirão e poucos times no mundo tem camisa para suportar essa pressão, para não tremer diante da torcida apaixonada que canta em azul, preto e branco. 


O Flamengo é um desses poucos times. 


A camisa rubro-negra impõe respeito onde quer que vá. A torcida magnética não precisa se deslocar para seguir o time, ela já está lá. Há flamenguistas em grande número em todos os lugares e o Flamengo não sente a pressão de jogar fora de casa da mesma maneira que os outros times sentem. O jogo começa e logo no início, o vilão do dia, Ronaldinho, manda uma bola no travessão. O Grêmio responde e obriga Felipe a trabalhar, mas o Flamengo joga melhor, troca passes e envolve o Grêmio. E o domínio se transforma em gol. Em gols. Deivid aos 23 e o excelente Thiago Neves aos 35.


O dia da vingança se encaminhava para um dia de desilusão. O Flamengo parecia ter matado o jogo e ia conseguindo um resultado espetacular na busca pelo hepta. Mas estávamos no Olímpico, ainda era o primeiro tempo, e sobretudo, entre todos os times do mundo, existe apenas um que é imortal - o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.


André Lima desconta no final do primeiro tempo e mostra aos cariocas que nada está decidido.


Logo no recomeço do segundo tempo, o mesmo André Lima dá um lindo drible entre as pernas de Airton e bate no canto para empatar. O caldeirão volta a ferver e agora o Flamengo sente a pressão. A virada demora, mas ela vem, em belo gol de Douglas aos 34. O jogo já ganha ares de lenda e aos 39, Miralles faz um golaço para fechar o caixão rubro-negro, um golaço para mostrar quem manda no Olímpico, para fazer Ronaldinho calar seu sorriso, um golaço para selar com chave de ouro uma partida histórica, um golaço para fazer a torcida tricolor se orgulhar, explodir de alegria e cantar.


Cantar o Rio Grande com amor.





26 de outubro de 2011

Livro - As Crônicas de Artur

Às vezes fico pensando em quantos livros existem por aí, que poderiam realmente me agradar. Quais filmes ainda não assisti que me deixariam impressionado, quantas músicas ainda não ouvi que me fariam sonhar. Enfim, quantas obras que ainda não tive contato, e tantas outras que morrerei sem conhecer, que acertariam em cheio na minha alma. Provavelmente nunca saberameos ao certo esse tipo de coisa.

O que me leva a concluir que temos sorte quando encontramos uma obra dessas.

Posso dizer que tive muita sorte por ter lido "As Crônicas de Artur".
 
Perfeição é um conceito muito relativo e subjetivo, mas não vejo outra palavra além de "perfeito" para descrever cada um dos três volumes que contam a história de Artur e seus cavaleiros, do ponto de vista (narrativa em primeira pessoa) do guerreiro Derfel. A solução dada pelo autor Bernard Cornwell para descrever a magia no mundo real é genial. Você se sente participando de cada combate, o impacto das espadas e machados contra a parede de escudos, o bafo de cerveja dos inimigos, o cheiro de sangue no campo de batalha. Enfim, a narrativa é tão boa que você vive a história.

O próprio autor disse que essa é sua obra-prima e dificilmente conseguirá escrever algo com tanta qualidade e com tanta alma. Concordo.

Não que os outros livros dele sejam ruins, pelo contrário. Bernard Cornwell é um escritor consagrado que consegue manter um excelente nível em todas as suas obras.

Mas "As Crônicas de Artur", talvez pelo próprio apelo do personagem é imcomparável, é quase inacreditável. É a melhor história que já li e tenho quase certeza que dificilmente perderá esse posto por mais livros que eu leia.


Livros que formam a trilogia, na ordem:

  • O Rei do Inverno
  • O Inimigo de Deus
  • Excalibur





23 de outubro de 2011

Rivalidade no Beira-Rio


Em 1976, o Corinthians amargava o maior jejum de títulos da história e nas semifinais do campeonato brasileiro sua apaixonada torcida, que cresceu na adversidade, protagonizou um feito que para sempre será lembrado e dificilmente sequer será igualado - a invasão do Maracanã. 70 mil corintianos sairam de São Paulo e dividiram o Maracanã com a torcida do Fluminense, que na época tinha a equipe chamada de "Máquina tricolor". Os 70 mil torcedores do time do povo viram o Timão vencer nos pênaltis e avançar às finais, contra o então atual campeão do torneio - o Internacional de Porto Alegre. No Beira-rio, não houve invasão, nem festa alvinegra. A festa foi colorada e o Inter sagrou-se bicampeão.


Em 2005, o Campeonato mais discutido e discutível de todos os tempos. E onde há polêmica, para o bem e para o mal, o Corinthians quase sempre é protagonista. Após denúncias de arbitragens compradas, jogos foram cancelados e disputados novamente. Nesses jogos o Corinthians obteve vitórias importantes e conquistou pontos que lhe colocaram à frente da tabela. O Inter, que desde a inigualável conquista invicta do campeonato de 1979 amargava uma grande fila nos brasileiros, foi o maior prejudicado. No confronto direto, no Pacaembu, pênalti claro e decisivo para o Inter, mas o juiz não dá e ainda expulsa o jogador por simulação. O Corinthians sagra-se tetracampeão e o Inter fica com um espinho entalado na garganta. A rivalidade entre os dois times acirrou-se quase como uma rivalidade regional.


Desde então, os jogos entre os dois, que nunca foram fáceis, se tornaram mais duros, pegados, violentos, disputados. Na final da Copa do Brasil de 2009 os dois se encontraram e o Corinthians levou a melhor novamente vencendo em casa e empatando no Beira-Rio. Essa final ficou marcada pelo dossiê exibido pelo presidente do Inter, com os erros de arbitragem a favor da equipe paulista. Muitos creditam a essa atitude a perda do título pelos colorados. O presidente do Inter provocou o Corinthians antes da hora, mexeu com os brios de uma nação - e isso não foi uma atitude muito inteligente.


Hoje, mais um capítulo da história. Mais um jogo disputado, onde o Corinthians entra em campo com a frase "se ganhar é campeão" na cabeça. O Inter que continua na fila do brasileiro, mas hoje é o Campeão de tudo, entra em campo para ganhar posições na tabela, conquistar uma vaga na libertadores e quem sabe sonhar com o título. Mais do que isso, o Inter entra em campo para mostrar que no Beira-Rio não há espaço para ninguém, ali o Inter manda, ali não tem invasão, ali ninguém vai passear. E o Inter entra em campo para vencer o time mais odiado e amado do futebol brasileiro, o Inter entra em campo para vencer o Corinthians.


Jogo duro como não poderia deixar de ser. Alessandro abusa da violência no final do primeiro tempo e é corretamente expulso. O Timão volta acuado e o Inter pressiona. Pressiona e pressiona, até que consegue seu gol. O Beira-Rio explode em alegria, o caldeirão é vermelho, o Inter é o sentimento que não pode acabar.


O Corinthians está com um a menos, perdendo o jogo e vendo o adversário dominar a partida, perto de ampliar a vantagem. O jogo se encaminha para o final, o Vasco vai vencendo e se distanciando na ponta, a situação é desesperadora, a causa é quase perdida. Mas isso nunca foi problema, não para o time do povo. Seus jogadores correm por 11, por 12, por 13 se precisar. Assim como sua fiel torcida, que canta o jogo todo, o Corinthians cresce na adversidade. Você não pode provocar o Corinthians, muito menos subestimar o Corinthians. Numa falta, mesmo que de longa distância, mesmo que o jogo esteja acabando e o domínio seja seu, você não pode colocar só dois jogadores na barreira. Muriel cometeu esse pecado e foi devidamente castigado. 


No final do jogo o Timão busca o heroico empate. E se houvesse mais 5 minutos de jogo o Corinthians virava o jogo. A fiel torcida mais uma vez faz a festa no Beira-Rio. O futebol é engraçado. Mesmo perdendo a ponta da tabela, os corintianos terminam o Domingo com gosto de vitória - um gol no final sempre deixa esse gosto. Os colorados com o sentimento amargo de um empate que poderia ser evitado.


No próximo final de semana, os dois gigantes voltam à campo. 


E novas histórias serão contadas.









22 de outubro de 2011

Dicas de vídeo (22/10)

O Lutador  
Alguns filmes são simplesmente memoráveis. Esse é um deles.
Aronofsky é genial e a atuação de Mickey Rourke é perfeita.

Sensacional.



Thor        
Foi o que eu mais gostei dessa leva de filmes de super-heróis que antecedem o filme dos Vingadores.
Provavelmente minha afeição pelo personagem (Thor sempre foi um dos meus preferidos) tenha influenciado nesse julgamento, mas achei muto bom e divertido.

Excelsior!



 Nascido em 4 de Julho   
Filme antigo que assisti recentemente. Percebi que fazia uma ideia errada sobre a trama, pensei que fosse mais um filme sobre o heroismo americano e tal. Na verdade é uma grande crítica à guerra, uma história densa, com boa atuação do Tom Cruise.

Recomendo.



Reencontrando a felicidade
Quando minha esposa trouxe esse e vi a sinopse já pensei "putz, quer ver que eu vou chorar...". Nada. A história é contada muito superficialmente, Nicole Kidman e Aaron Eckhart até que se esforçam, mas não convencem muito. Acho que erraram o ponto de início da história, fica a impressão que começou no meio. Depois o "começo" é recuperado com flasbacks, achei que não funcionou.

Não chega a ser um filme ruim, mas não recomendo.

20 de outubro de 2011

Nirvana - Drain you


"A" banda que eu gostaria de ter visto ao vivo...






One baby to another says
I'm lucky to have met you
I don't care what you think
Unless it is about me
It is now my duty to completely drain you
I travel through a tube
And end up in your infection

Chew your meat for you
Pass it back and forth
In a passionate kiss
From my mouth to yours
'Cause I like you

With eyes so dialated
I've become your pupil
You've taught me everything
Without a poison apple
The water is so yellow
I'm a healthy student
Indebted and so grateful
Vacuum out the fluids

Chew your meat for you
Pass it back and forth
In a passionate kiss
From my mouth to yours
'Cause I like you

You....
You....

YEAAAAHHHH!

One baby to another says
I'm lucky to have met you
I don't care what you think
Unless it is about me
It is now my duty to completely drain you
I travel through a tube
And end up in your infection

Chew your meat for you
Pass it back and forth
In a passionate kiss
From my mouth to yours
Sloppy lips to lips
You're my vitamins
I like you

18 de outubro de 2011

Acreditar

Seria bom se houvesse um ser superior olhando por nós (não para nós), protegendo os fracos, consolando os sofredores, fazendo com que no final tudo desse certo, com que cada sacrifício de nossas vidas valesse a pena, que cada “não” imposto à vontade rendesse mais do que arrependimento, que cada moeda dada aos pobres realmente nos fosse retornada em dobro, que propiciasse a paz na terra aos homens de boa vontade. Um ser que garantisse sentido às nossas vidas, que fizesse valer o esforço dos justos e a punição dos maus. Sim, provavelmente isso seria bom. Mas não é porquê uma coisa seria boa, ou porquê acreditamos, que necessariamente ela seja verdade. 

Por exemplo, um congresso formado totalmente por políticos honestos seria bom, mas isso também não existe.

16 de outubro de 2011

Jonas

Era um belo dia ensolarado e o navio estava pronto para zarpar. Os marinheiros faziam os últimos preparativos para seguir viagem, quando um tripulante de última hora chegou, pagou ao capitão pela passagem e foi até o porão "descansar". Seu nome era Jonas.

No mar, o sol desapareceu, nuvens negras cobriram o céu e uma violenta tempestade começou a desabar, ameaçando virar o barco a qualquer momento. Todos faziam tudo certo, os nós, as amarras, cobriam os furos no casco, seguravam o leme, jogavam água para fora da embarcação. Mas enquanto Jonas estivesse ali, a tempestade não daria trégua e mais cedo ou mais tarde, o navio certamente afundaria. Os marinheiros atiraram Jonas na água e a tormenta foi embora.

Adilson Batista trabalhou bem no Cruzeiro. Venceu o estadual, fez boas campanhas nos campeonatos brasileiros e libertadores, mas no jogo da vida, em que tinha tudo na mão para dar o tricampeonato da américa à equipe celeste, Adilson fracassou. Perdeu no Mineirão lotado, de virada.

Em 2010, Adilson assumiu o Corinthians, que estava bem no campeonato brasileiro até então. Foi trabalhador, honesto, talvez prejudicado por fatores extra-campo, mas o fato é que depois que Adilson chegou, o barco começou a afundar no Parque São Jorge.

Depois Adilson foi para o Santos e depois de 11 jogos, mesmo com apenas 1 derrota, Adilson foi demitido. Talvez pela proximidade do porto, os santistas possuam mais conhecimento sobre embarcações e resolveram mandá-lo embora antes que seu próprio navio começasse a afundar.

Adilson já não era visto com bons olhos nos grandes times e acabou indo para um aspirante a grande, o Atlético Paranaense. Mais um trabalho medíocre, mais um barco furado.

O São Paulo, precisando de um técnico após a demissão de Carpegiani, resolveu apostar em Adilson. Bastaria esparar duas semanas para Dorival cair no Galo, mas o São Paulo deu um voto de confiança à Adilson Batista. Logo no primeiro jogo, já vimos qual seria a nossa sina no campeonato. Empate em casa contra o Atlético. Não, não o Mineiro. O Goianiense. Falhas na defesa, dificuldade em romper retrancas. E o barco tricolor começou a afundar.

Hoje, uma derrota vergonhosa para o mesmo Atlético do primeiro empate. Pela primeira vez no campeonato o tricolor paulista sai da zona de classificação para a Libertadores, meta mínima para um clube gigante como o São Paulo. Hoje, vimos TODOS os nossos adversários diretos pelo título vencerem suas partidas. Hoje, dissemos adeus à disputa do primeiro lugar. O São Paulo é o time da fé, não podemos nos esquecer disso nunca, mas já temos 5 outros gigantes à nossa frente, e outro colado em nossos calcanhares (treinado pelo Dorival, aquele que deixamos de contratar por não esperar duas semanas).

Ganhar e perder (e empatar, como ocorre na maioria das vezes com esse treinador) faz parte do jogo, mas o que acontece com os times de Adilson Batista é inexplicável.

Se o São Paulo tem alguma aspiração de participar da libertadores em 2012 e não promover mais um vexame na temporada, sendo eliminado precocemente na Copa Sulamericana, precisa jogar o Jonas no mar o quanto antes.

Eu não acredito em bruxas. 

Nem no Adilson Batista.





14 de outubro de 2011

Dicas de vídeo (14/10)

Clube da Luta 
Esse é O FILME. Se você não assitiu, assista - assista o quanto antes. 

Não há muito mais a se dizer.








Lugares comuns   
Belo filme argentino, com história simples e bem trabalhada, atuações serenas, transmitindo a emoção na medida certa.

Muito bom!





 
Lancelot, o Primeiro Cavaleiro 
Esse é meio "Sessão da Tarde", mas não no sentido pejorativo do termo. Historinha meio batida e um pouco água-com-açúcar, mas acho que vale a pena. O tema "Rei Arthur" sempre vale a pena.

Recomendo.





O Besouro Verde
Aqui também caímos na classificação "Sessão da tarde", dessa vez já não consigo precisar se para o bem ou para o mal. No geral achei o filme fraco, mas também não chega a ser uma bomba completa. Naquele final de Sábado que não sobrou nada na locadora, daí talvez seja uma opção.






Filme Socialismo
Sempre ouvi falar que Godard era mestre, gênio, etc. Acabei assistindo esse que foi o último filme de sua carreira. Provavelmente ele é mestre e gênio mesmo, mas meu intelecto acabou se mostrando limitado demais para apreciar.

Não gostei.

13 de outubro de 2011

Bad Religion - Punk Rock Song

Essa noite acompanharei (novamente depois de 13 anos) o Bad Religion ao vivo, tomando e distribuindo cotoveladas na pista do Via Funchal! 




Punk Rock Song

Have you been to the desert?
Have you walked with the dead?
There's a hundred thousand children being killed for their bread
And the figures don't lie they speak of human disease
But we do what we want and we think what we please

Have you lived the experience?
Have you witnessed the plague?
People making babies sometimes just to escape
In this land of competition the compassion is gone
Yet we ignore the needy and we keep pushing on
We keep pushing on

This is just a Punk Rock Song
Written for the people who can see something's wrong

Like ants in a colony we do our share
But there's so many other fuckin' insects out there
And this is just a Punk Rock Song

Have you visited the quagmire?
Have you swam in the shit?
The party conventions and the real politik
The faces always different, the rhetoric the same
But we swallow it all, and we see nothing change
Nothing has changed...

This is just a Punk Rock Song
Written for the people who can see something's wrong

Like workers in a company we do our share
But there's so many other fuckin' robots out there
And this is just a Punk Rock Song

10 million dollars on a losing campaign
20 million starving and writhing in pain
Big strong people unwilling to give
Small in vision and perspective
One in five kids below the poverty line
One population runnin' out of time

This is just a Punk Rock Song
Written for the people who can see something's wrong

Like ants in a colony we do our share
But there's so many other fuckin' insects out there
And this is just a Punk Rock Song

The figures don't lie they speak of human disease
But we do what we want and we think what we please
One in five kids below the poverty line
One population runnin' out of time

This is just a Punk Rock Song
This is just a Punk Rock Song
This is just a Punk Rock Song


Brilha a estrela solitária

"O Corinthians não tem estádio". Essa é uma das primeiras coisas que os torcedores rivais aprendem a dizer. Sim, o Corinthians ainda não tem estádio, mas o Corinthians hoje tem uma casa - o estádio público da cidade de São Paulo, Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembú, o estádio do povo, é hoje a casa do time do povo. E não é fácil enfrentar o Corinthians lá, principalmente em jogo valendo a ponta da tabela. Hoje essa árdua tarefa coube ao Botafogo.

O Fogão vem de um empate inesperado, em casa, contra o Bahia. Empate esse que lhe custou dois pontos importantes na disputa acirrada pelo título. O Timão vem de uma vitória arrasadora nesse mesmo Pacaembú, por 3 x 0 contra o Atlético Goianiense, vitória com a qual retomou a ponta da tabela.

O Corinthians é o líder do campeonato, o Corinthians joga em casa, apoiado pela sua apaixonada torcida, o Corinthians é o favorito. No Pacaembú o Corinthians é sempre o favorito. O caldeirão ferve, a torcida adversária se cala, as pernas dos jogadores adversários tremem, a arbitragem é pressionada, todos se intimidam.

Todos, menos o Botafogo.

O Corinthians é um adversário forte, mas o Botafogo não pode perder pra ninguém.

E após o apito inicial, quem manda no jogo é o Glorioso. Com toque de bola rápido e envolvente, saindo em velocidade, o Botafogo marca logo de cara, mas o bandeirinha falha e anula o gol. Alguns minutos depois, novo gol, gol de el Loco Abreu. Esse vale, Botafogo 1 x 0.

O Corinthians sente o golpe, vai pra cima sem muita organização e vê um adversário extremamete perigoso nos contra-ataques. Para ser campeão, um time precisa competência, regularidade, elenco, etc. Mas também precisa de um pouco de sorte de vez em quando. E o Botafogo teve essa sorte, aquela que favorece os destemidos, aquela sorte de campeão. Maicosuel chuta, a bola desvia e encobre Julio César. Botafogo 2 x 0. A fiel torcida não acredita no que vê diante de seus olhos, ninguém acredita.

O primeiro tempo acaba sob olhares perplexos.

Recomeça o segundo tempo. O Corinthians volta na adversidade, precisando correr muito e buscar uma fagulha de esperança em um jogo praticamente perdido. O Corinthians volta prcisando fazer milagre. Quando está nessa situação, como uma fera acuada, o Corinthians se torna um adversário terrível. E o Timão volta pressionando, desde o primeiro minuto. Os jogadores se desdobram, correm como loucos, empurrados pelo bando de loucos na arquibancada. O Corinthians pode ganhar, pode perder, mas nunca desistir. E ele não desiste. O Corinthians pressiona e o Fogão já não consegue sair em seus velozes contra-ataques.

O jogo se torna um massacre, o gol corintiano, o gol que inflamaria a partida parece questão de tempo. Mas aí o goleiro reserva do Botafogo, Renan, começou a se tornar o nome da partida. Principalmente depois dos 15 minutos, quando Cortês foi expulso e a pressão aumentou ainda mais. Foi um bombardeio. Chutes, cabeçadas, bola na trave, show de defesas e bloqueios. Mais de uma vez o Botafogo contou com a sorte para não tomar o gol. Aquela sorte de campeão.

Do 1º ao último minuto do segundo tempo o Corinthians correu e tentou, empurrado pela torcida que justamente reconheceu o esforço de seus atletas e os aplaudiu no final, mesmo com a derrota. Pelo segundo tempo, o Corinthians merecia um resultado melhor. Mas hoje eles estavam enfrentando o time que é heróico em cada jogo.

Estavam enfrentando o Glorioso. 
E o Glorioso não pode perder, perder pra ninguém.




10 de outubro de 2011

Já encheu o saco - Rafinha Bastos

Há alguns anos, em uma de suas apresentações "stand-up", o comediante Rafinha Bastos fez uma piada completamente sem graça e de caráter extremamente duvidoso, dizendo que as mulheres feias deveriam agradecer aos estupradores caso fossem suas vítimas, afinal, essa seria a única maneira de conseguirem ter alguma relação sexual.

Não sei exatamente o porquê, mas só nesse ano a turma do politicamente correto e as feministas de plantão, colocaram o caso em pauta, alegando que a piada fazia apologia ao estupro, querendo prender o comediante, etc. Rafinha se defende dizendo que comediante faz piada e piada não é apologia a nada, é só piada. E que está repaldado pelo direito à liberdade de expressão.

Há duas semanas, no programa CQC, após uma matéria sobre a cantora Wanessa Camargo (que está grávida), Rafinha disse - "eu comeria ela e o bebê". Provavelmente ele tenha tido como base aquele jogo de "qual é o cúmulo da...", nesse caso (idiota diga-se), o cúmulo da pontaria seria - "transar com uma mulher grávida e acertar a bunda do bebê". Eu me lembrei disso quando ele falou (na verdade só li depois a notícia, não vejo graça no CQC e não assisto), não sei se foi isso realmente que ele pensou pra fazer a "piada", na verdade acho que ele NÃO PENSOU pra falar. Mais uma piada sem graça, de gosto totalmente questionável e mais uma onda de ataque do politicamente correto e moralistas de plantão, dessa vez alegando que a piada fez apologia à pedofilia. O caso acabou ganhando mais destaque quando a emissora o afastou do programa, devido a pressões dos patrocinadores (marido da Wanessa, que é amigo do Ronaldo gordo e por ai vai).

No dia do afastamento, Rafinha tirou fotos com duas "modelos", num clima debochado, como quem diz - "não estou nem ai para isso". Sem nenhuma graça também. Bom, a verdade é que eu nunca gostei do Rafael Bastos. Não gosto desses humoristas que usam forçadamente um tom agressivo em suas piadas. Prefiro o estilo do Danilo Gentili por exemplo. 

Não sou da turma do politicamente correto, nem dos moralistas de plantão.
Só acho que tudo tem limite.

Não o conheço, mas tenho quase certeza que ele realmente não quis fazer apologia, nem ao estupro nem à pedofilia nos casos elencados acima. E tenho certeza também, que a maioria das pessoas que ouviram a tal piada, simplesmente ignoraram, sentindo no máximo um pouco de vergonha alheia. O problema é que um cara desses fala (o Rafael é o mais seguido do Twitter e até semana passada tinha voz ao vivo em rede nacional por exemplo) acaba se espalhando, atingindo pessoas que não se sabe exatamente como vão assimilar e interpretar as "piadas". Não, não acho que alguém vai estuprar uma mulher feia só porque ouviu a piada, mas não podemos garantir, sabemos que no mundo "tem louco para tudo". Às vezes um desses só está esperando um pequeno "empurrão" para justificar seus atos, quem vai saber?


Os "famosos" (infelizmente) acabam se tornando formadores de opinião, querendo ou não, e precisam ter um mínimo de responsabilidade com isso. Fazer piada não é desculpa para falar qualquer idiotice que apareça na cabeça. A liberdade de expressão permite que cada um fale o que quer realmente, desde que assuma as consequências pelas suas palavras depois. Você pode sair por ai dizendo que não gosta de negros (ou de brancos) é seu direito, mas depois terá que aguentar eventuais processos por discriminação racial previstos em lei. Acredito que não existam leis prevendo punições para piadas cretinas e babacas que acham que podem falar o que quiser que vai soar engraçado, só porque estão com um microfone na mão em frente às câmeras ou num palco de teatro. Cabe a nós ignorarmos até que caiam no ostracismo. 

E nesse caso específico acho que a turma do politicamente correto (que talvez mereça uma crônica "Já encheu o saco" futuramente) está com toda razão em processar esse irresponsável.

Em resumo, esse Rafinha Bastos já encheu o saco.




9 de outubro de 2011

Fla-Flu espetacular

Clássicos existem muitos, mas nenhum tão bonito quanto Flamengo x Fluminense.

Mesmo fora de seu lugar de direito, o Maracanã, repleto de gente, bandeiras e emoção, o Fla-FLu encanta, nos remete à outras épocas, quando o futebol era mais romântico e a vida parecia ser um pouco mais bela.

No Engenhão, o campo está maltratado e as arquibancadas não estão cheias como deveriam, mas os times entram em campo, ambos vivendo momentos ascendentes na competição. O Fluminense, depois de um primeiro turno medíocre, voltou fazendo o que sabe fazer de melhor - reagir e deixar todos impressionados. Melhor campanha do segundo turno, com uma vitória hoje assumiria a terceira posição. O Flamengo, após um inacreditável começo de ano e de campeonato, viveu um apagão depois de perder a sua invencibilidade. 10 partidas sem vitória que lhe tiraram do pelotão de frente. Mas vem de duas vitórias seguidas, a última contra o São Paulo, em pleno Morumbi em dia de festa para a volta de Luís Fabiano.

Os dois times estão com moral, mas desfalcados de seus craques. O Flu, sem o seu matador, Fred. O Fla, sem a genialidade de Ronaldinho.
O começo do jogo fica aquém das expectativas. Um chute de Rafael Moura aqui, uma arrancada de Léo Moura ali, chute de Deivid, Marquinho... nada que mereça muito destaque. A bola é maltratada como a grama do Engenhão. O juíz apita e o primeiro tempo acaba sem deixar saudades.

Em outros esportes, dificilmente a qualidade da partida muda radicalmente de um tempo para o outro. Mas estamos falando de futebol, aqui tudo é possível, por isso nossa paixão por ele é tão grande e se renova a cada jogo.

O Fluminense volta melhor, pressionando desde o primeiro minuto. O time de guerreiros vai para cima desde o primeiro minuto e sufoca o Flamengo no campo de defesa. A pressão dá resultado aos 14 minutos, quando Rafael Sobis abre o placar de cabeça. A reação do tricolor no campeonato tem uma explicação simples - guerreiros não recuam. O Flu continua pressionando e sufocando, o segundo gol parece questão de tempo e quase vem novamente em cabeçada de Sobis, aos 20. Outra característica apaixonante do futebol é que as coisas mudam de uma hora para outra. Principalmente quando o Flamengo está em campo. Aos 23, Thiago Neves empata, na raça. Aos 25 Bottinelli chuta de longe e o goleiro espalma. Era um aquecimento para o que estaria por vir. Agora é o Flamengo que pressiona, o Flamengo que sufoca, embalado pela magnética que vibra e festeja na arquibancada. Só dá Flamengo. Mas é o Fluminense que marca. Aos 33, Lanzini aproveita cruzamento de Souza e coloca o tricolor de novo na frente.

O jogo se encaminha para o final. A vitória do Flu parece bem encaminhada, mas o futebol é imprevisível. Principalmente quando o Flamengo está em campo. Aos 41, falta de longe e Bottinelli faz cobrança magistral, lembrando o ídolo Petkovic - a bola bate no travessão, nas costas do goleiro e entra. 2 x 2.

Agora sim, tudo parecia definido, o empate parecia ser o resultado definitivo e justo para a partida. Mas nenhum resultado pode ser considerado definitivo enquanto a mística camisa rubro-negra puder ser vista em campo.

Aos 44, Bottinelli de novo, acerta um chute espetacular no canto e o Flamengo obtém uma virada digna das tradições do Fla-Flu e dos tempos quando o futebol era romântico e a vida mais bela.

O Fluminense perde o jogo e o título já seria tarefa impossível para outro time. Só que para o time de guerreiros não há tarefa impossível.

O Flamengo consegue mais uma vitória e já é o quarto. Estão deixando chegar. 

E quando fazem isso com o Flamengo, todos sabem o que acontece.

Santos encerra o tabu

O Santos, quando joga completo, é o melhor time do Brasil. É o melhor time da América. E em Dezembro descobriremos se também é o melhor time do mundo. Hoje todos apontam o Barcelona como favorito e realmente os espanhóis jogam o fino da bola. Mas futebol se resolve em campo e isso é história que ainda está por ser escrita.

Jogando completo e jogando na vila, o Santos tem se mostrado praticamente imbatível há alguns anos. Exceto quando tinha o Palmeiras como adversário. A exemplo do que acontecia na época de Pelé, o alvi-verde mais vitorioso do Brasil era o único a desafiar a hegemonia santista nos confrontos diretos.

E hoje o Santos jogava na Vila, mas não jogava completo. Já há algumas rodadas sem o talento de Paulo Henrique Ganso, hoje o Santos também estava sem sua jóia mais preciosa, o Santos estava sem Neymar. E quando isso acontece, o Santos volta a ser "apenas" um excelente time, com a camisa mais tradicional do futebol brasileiro. Com Neymar, o Santos é mágico.

O Palmeiras, também muito desfalcado, entra disposto a manter o tabu contra a equipe da baixada, já são dois anos sem derrota contra o rival. Mais do que isso, o maior campeão do último século quer conquistar pontos para se reaproximar do lugar que é seu por direito, a parte de cima da tabela. O Santos já está com a cabeça no Barcelona e joga apenas para honrar suas tradições e sua torcida.

Com um elenco limitado, o Palmeiras se mostra um time aguerrido, ao estilo de seu competente e trabalhador técnico. Mas só isso não basta, o jogo é fraco e se arrasta. Perigo apenas em lances esporádicos, bolas paradas, cobranças do sempre perigoso Marcos Assunção.

Muito pouco para as camisas que estão agora no gramado.

Volta o segundo tempo e o Santos se mostra mais disposto a vencer. O Palmeiras abdica do ataque. O Santos vai se virando sem o menino-gênio da camisa 11 e sufoca o Palmeiras. De tanto insistir, aos 30 o veterano Léo cruza na cabeça do artilheiro do campeonato e ele não perdoa. Borges marca seu impressionante vigésimo gol na competição.

O Palmeiras tenta a reação. Dizem que todo bom time começa por um bom goleiro. E Rafael se mostra um grande goleiro ao fazer milagre no chute de Fernandão, evitando o empate alvi-verde.

O jogo se arrasta sem muita emoção até o apito final.

O Santos presenteia sua torcida com a vitória e a quebra do tabu, mas o título agora é missão quase impossível. O Palmeiras estaciona no meio da tabela e agora até classificação para a libertadores começa a ganhar ares de sonho.

Livro - Mostre-me Deus


O Universo foi criado por acaso ou existiu um arquiteto nos bastidores? Houve um momento inicial (Big Bang), ou tudo já estava aqui desde sempre?

A ideia de uma explosão inicial que deu origem a tudo, automaticamente exclui a possibilidade da existência de Deus? Ou de alguma maneira poderia reforçar a crença no divino? É possível conciliar fé e ciência? 

Um macaco digitando aleatoriamente por 15 bilhões de anos em uma máquina de escrever poderia gerar uma obra igual a de Shakespeare em algum momento?

É possível provar a existência de Deus através da ciência?

No excelente livro "Mostre-me Deus - O que a mensagem do espaço nos diz a respeito de Deus", o autor Fred Heeren aborda esses temas e nos mostra os resultados de seu minucioso trabalho de pesquisa, apresentando inúmeros fatos e argumentos no mínimo curiosos, que nos fazem refletir sobre as origens do universo e da vida.

Heeren crê em Deus e tenta fundamentar sua fé com fatos científicos, principalmente o Big Bang. O autor apresenta várias questões de difícil resposta sem a variável "Criador" envolvida na equação. Por exemplo, por que após o Big Bang a força da gravidade não fez com que o universo voltasse ao ponto inicial de singularidade? Também nos apresenta as várias sequências de "coincidências" que seriam necessárias para que o universo se formasse do jeito que o vemos hoje e que a vida se desenvolvesse como se desenvolveu. São muitas coisas que um pouco "pra lá" (a Lua por exemplo) impediria o desenvolvimento da vida e outras que um pouco "pra cá" (Sol), também impediriam.

É uma leitura interessante para ateus e crentes.
Não me convenceu, tudo sempre se resume a acreditar ou não, sentir ou não. E eu não acredito, não sinto. Estou certo que não há literatura que possa mudar isso. Mas esse é um livro que nos faz refletir. 

E isso já é motivo suficiente para recomendá-lo.

7 de outubro de 2011

Dicas de vídeo (07/10)


Todo mundo falava desse filme, que era espetacular, diferente, imperdível, etc. Daí eu assisti e não achei muita graça. Acontece de vez em quando. Alguns anos depois (esse ano aliás), surgiu a conversa que fariam o remake americano e novamente vi os mesmos comentários entusiasmados. Pensei "não é possível, essas pessoas viram outro filme". Para tirar a dúvida, aluguei e assisti novamente. Percebi que quem tinha assistido outro filme na verdade fui eu. Não sei o que houve da primeira vez, mas agora faço coro - é espetacular, diferente e imperdível.


Esse filme japonês venceu o Oscar de melhor estrangeiro. Merecidamente. A história é contada com muita naturalidade e acaba levando às lágrimas sem forçar a barra (como é feito descaradamente no filme do cachorro Marley por exemplo!). Devo dizer que é bem difícil um filme me fazer chorar, e esse fez, mais de uma vez.

Totalmente recomendado!




Gostaria de ter assistido o original "Deixa ela entrar", mas acabei não conseguindo, tive que ficar com o esse remake mesmo. Mas (apesar de não conhecer a qualidade do original) posso dizer que ele não decepciona. Uma boa história de vampiros, fugindo um pouco do clichê dos filmes de terror.

Vale a pena conferir.


Mais um que aluguei meio aleatoriamente e acabou se revelando uma boa escolha. A história é simples, sobre a (difícil) missão dos oficias mensageiros, que vão até as casas dos parentes de soldados mortos na guerra para dar as más notícias. Uma história simples e bem contada, na dose certa de drama e humor, aliada com boas atuações.

Recomendo.


Lembro que na época esse filme foi muito bem avaliado, comentado, etc. Não vi nada disso. É aquele tipo de filme com várias histórias em paralelo, que te deixa esperando por um "cruzamento", mas isso não acontece. Fica tudo meio confuso e disperso. Eu ainda tinha lido uma reportagem sobre a máfia, então consegui captar algumas coisas (os lixões e as roupas por exemplo), mas também não ajudou muito.

Não recomendo!

6 de outubro de 2011

Nofx - Perfect Government


A música mesmo começa em 03:01, mas toda essa conversa (e os eventuais gritos de "Shut up" vindos da platéia) é uma característica marcante nos shows do NOFX.



Even if it's easy to be free
What's your definition of freedom?
And who the fuck are you, anyway?
Who the fuck are they?
Who the fuck am I to say?
What the fuck is really going on?

How did the cat get so fat?
Why does the family die?
Do you care why?

Cause there hasn't been a sign
Of anything gettin' better in the ghetto
People's fed up
But when they get up
You point your fuckin' finger
You racist, you bigot
But that's not the problem
Now is it?

It's all about the money
Political power is taken
Protecting the rich, denying the poor
Yeah, they love to watch the war from the White House
And I wonder...

How can they sleep at night?
How can they sleep at night?

How did the cat get so fat?
How did the cat get so fat?
How did the cat get so fat?
How did the cat get so fat?




Ótimo jogo, péssimo resultado

O jogo é contra o Cruzeiro, em Minas, mas não no Mineirão.
O mítico estádio está em reformas para a copa e o time (e também o povo) mineiro está pagando o preço, flertando com a zona de rebaixamento em total desacordo com sua condição de gigante do futebol mundial.
Porém, não importa o momento, a camisa celeste impõe respeito, principalmente em seus domínios.
O São Paulo joga suas últimas fichas, não pode mais errar - a ponta da tabela está ficando distante e o fim do campeonato já pode ser visto ao longe.

A Arena do Jacaré recebe um público aquém do que o clássico merece, mas o futebol apresentado se revelaria digno de todas as tradições envolvendo os clubes que entraram no gramado.

Após bom início do São Paulo o Cruzeiro abre o placar. Boa jogada (e dizer isso é quase redundante com o nome que vem a seguir) de Montillo, gol de Keirrison.

O São paulo sente o gol, mas aos 30 Cícero faz boa jogada e se joga na área. O Juíz marca pênalti equivocadamente. Ansioso pelo primeiro gol em seu retorno, Luís Fabiano bate. E bate mal, fraco. Fabio faz a defesa. Deus é justo? Dessa vez foi pelo menos. No final do primeiro tempo, linda jogada, toque de cobertura de Dagoberto, mas o zagueiro salva.

Recomeça o segundo tempo e o São Paulo vai ao ataque, nada mais resta a fazer. O Cruzeiro aceita a pressão, só dá São Paulo. O empate já se faz por merecer. E Deus foi justo mais uma vez. Após boa tabela com Luís Fabiano, Cícero manda para a rede.

O São Paulo continua pressionando, tem controle total do jogo e Dagoberto, contando com velocidade, sorte e técnica apurada faz um lindo gol de cobertura após arrancada quase do meio campo. Parecia que o terceiro gol era só questão de tempo, mas as bolas na área têm sido um grande problema para a defesa tricolor nessa temporada. Qualquer cobrador mediano já assusta e leva perigo. Imagine o argentino Montillo. Aos 27 ele cobra falta e o Cruzeiro empata com Charles.

Dagoberto faz lindo cruzamento e Juan coloca o São Paulo na frente, 4 minutos depois.

O Cruzeiro não desiste, começa a finalmente mandar no jogo e pressiona. Corações celestes e tricolores batem forte. Aos 37, os celestes batem com mais alegria, porque após cobrança de escanteio (precisa dizer quem bateu?) o Cruzeiro empata novamente com Anselmo.

O jogo fica totalmente aberto e a tensão é total até o último apito aos 47 e meio.

Ótimo jogo, mas péssimo resultado para as duas equipes. O São Paulo pode ver o Vasco abrir 6 pontos no Domingo e sofre ameaça de sair da zona de classificação para a Libertadores e o Cruzeiro continua próximo à zona de rebaixamento, correndo o risco (embora remoto) de deixar o seleto grupo dos grandes que nunca cairam.

4 de outubro de 2011

Dias nublados

Dizem que “depois da tempestade sempre vem a bonança”. Numa antiga música da Xuxa o ditado foi infantilizado com “depois da tempestade sempre vem um dia claro de verão” e essa versão ilustrará melhor o que quero dizer. O sentido é bem claro, é uma maneira agradável de dizer à alguém que sofre: “Calma, hoje você está assim, mas logo tudo ficará bem”. Sim, isso é verdade, afinal não existe mal que sempre dure (em última instância nós vamos morrer e todos os males se encerrarão de um jeito ou de outro). O problema com a metáfora da tempestade, é que esquecem de dizer que entre a chuva e o dia de sol, existe um período de céu nublado e clima melancólico, que sem dúvida é melhor que todo aquele granizo, trovões e raios assustadores, mas que nem de longe se compara a um dia claro de verão. 

Outro detalhe omitido, mas não menos verdadeiro, é que o inverso dessa metáfora também se aplica, ou seja, “depois de um dia claro de verão sempre vem a tempestade”. Não há mal que sempre dure, mas também não há bem que não se acabe. Procuramos viver e aproveitar ao máximo os dias ensolarados, sabendo que uma tempestade está sempre à espreita, pois é impossível aos humanos a felicidade constante e eterna – e ironicamente parece ser justamente isso que tanto buscamos, parece ser isso que nos conduzem a tentar buscar. O que você quer na vida? “Ser feliz”, sempre é a resposta. No final, acabamos passando a maior parte de nosso tempo naquele céu nublado, que acaba se tornando um clima chato, em boa parte devido à ilusão gerada pelo tal dia claro de verão.

2 de outubro de 2011

51 anos de emoção

Futebol é no estádio.
Aquilo que passa na TV é outra coisa. É até parecido, mas não é futebol. Não o futebol em sua essência, não a experiência completa.

Se você nunca foi ao estádio, se você nunca sentiu o cheiro de pernil, cachorro-quente e churrasco, nem viu as bandeiras tremulando na porta dele, se você nunca andou junto com a multidão no meio da rua, disputando espaço com os carros, se você nunca foi embora num ônibus lotado, entoando canções de vitória depois de um grande jogo, nunca ficou amontoado com um monte de gente esperando um portão abrir, e correu de um policial logo depois disso, se você nunca viu alguém roendo unhas na arquibancada, nem ficou na ponta dos pés para tentar ver alguma coisa da geral, se sua voz nunca se fez uma com milhares de outras vozes desconhecidas, se você nunca gritou o nome do seu time até não ter mais forças, se seu mundo nunca desabou em tristeza nem explodiu em alegria quando viu a rede balançar ali de perto, então posso afirmar - você nunca viu realmente uma partida de futebol.

A tela fria inibe a emoção, os comentaristas e narradores deturpam a realidade. A alma do jogo só pode ser sentida no estádio.

Estádio, alma...

Você pode juntar um monte de tijolos com cimento, colocar um telhado entrar ali e chamar de "casa" logo no primeiro dia. Sim, será sua casa, mas ali ainda você não se sentirá em casa. Para que você se sinta em casa em algum lugar (mesmo que na sua própria casa!), é preciso que esse lugar tenha alma. E isso não acontece de um dia para o outro.

Sua casa só começa a ter alma conforme você vai tendo experiências nela. As experiências geram lembranças e é disso que a alma é feita. Lembranças. No final isso é tudo o que nos restará. Você olha para um canto e lembra que um dia seu filho caiu e bateu a cabeça ali. Olha para outro e se lembra do dia em que surpreendeu sua esposa com flores e um beijo apaixonado. Você dá risada, ouve música, almoça e janta com sua família ou sozinho, brinca com seu filho e seu cachorro, briga e faz amor com sua esposa. E só então você poderá entrar naqueles tijolos grudados com cimento e realmente se sentir em casa.

Com o estádio não é diferente. E amigo... alma não falta ao Morumbi.

Hoje o gigante completou 51 anos. Ele já estava lá quando meu pai era menino, já estava lá quando eu nasci. Ali eu já vivi todas as miríades de emoção que o futebol pode proporcionar, da desilusão profunda à esperança avassaladora, da raiva extrema à completa euforia, e antes de eu nascer essas mesmas emoções já haviam acontecido no coração de milhares de outras pessoas. E ele adquiriu alma. E se tornou nossa casa.

Casa... hoje o filho pródigo voltou para casa.

Preparamos a festa, fizemos tudo certo, jogamos bem, mas o futebol é inexorável. Do outro lado estava o Flamengo e sua mística camisa, o Flamengo que ganha forças quando sai da condição de favorito. Fomos derrotados, mas o jogo de hoje merece ser lembrado, a atuação de Rogério Ceni hoje merece ser eternizada com canções. E a de Ronaldinho Gaúcho também.

Não foi da maneira que esperávamos, mas esse é mais um jogo que dá alma ao nosso estádio, mais um jogo que fará parte das nossas lembranças. Outros jogos virão, outras duras derrotas nos serão impostas e outras vitórias épicas ocorrerão. Lembranças. Isso é tudo o que importa no final.

Perdendo ou ganhando, não há melhor lugar que o Morumbi para se passar a tarde de Domingo.

Afinal, não há melhor lugar que a nossa casa.





Texto também publicado no Blog do São Paulo (Zanquetta): www.blogdozanquetta.com

O Fluminense e o impossível

O estádio não é grande, mas os times são. Gigantes.
A grama é maltratada, o campo pequeno. Mas em qualquer lugar do mundo onde Fluminense e Santos estiverem jogando, haverá futebol. Às vezes mais que isso. 

Hoje teve mais que isso.

O Santos tem a camisa mais tradicional do Brasil. Nenhum time personificou tão bem ao longo da história a alma do verdadeiro futebol, a alegria de se jogar bola. O Santos ataca, o Santos pressiona, o Santos troca passes e vai para cima. Vai pra cima de Fluminense, de Olaria, de Barcelona. O Santos vai pra cima de quem for, na Vila, no Maracanã, em Volta Redonda.

Não importa onde, não importa contra quem - o Santos vai pra cima.

O Santos tem Neymar, e hoje em dia isso é quase como ter Pelé. Neymar é pura poesia no gramado, a bola gruda em seu pé e ele faz o que quer com ela. E ele quer fazer gol. E ele faz. Aos 32, no cantinho, Santos 1 x 0.
Resultado mais que justo após meia hora de massacre.

Quem pode parar Neymar em dia inspirado? Quem pode parar o Santos?
Apenas um time de guerreiros poderia conseguir tal façanha.
Não há feito impossível para um time de guerreiros.
Não há feito impossível para o Fluminense.

Fred deixa Marquinho na cara do gol pela segunda vez. Pela primeira a rede santista balança. O Fluminense empata e o pequeno estádio vira um caldeirão.

No segundo tempo, o Santos volta para jogar bola. O Fluminense volta para batalhar na guerra. Rafael Sobis dispara um míssil no ângulo e o Fluminense vira. O jogo parece decidido, mas um guerreiro age de forma desleal e saí do campo de batalha.

Era a fagulha que o Santos precisava para voltar a brilhar. Renteria empata nos minutos finais e o resultado parece estar decretado. E estaria, se do outro lado não estivesse o tricolor das laranjeiras.

O jogo vai aos 50 e o Fluminense com um homem a menos tem a última chance do jogo numa cobrança de escanteio. O tricolor tem uma chance improvável para obter uma vitória heróica, quase impossível.

E isso basta ao Fluminense - a palavra "impossível" ser pronunciada.
 
Nem Fred, nem Neymar, nem Rafael Sobis, nem Borges. Quem brilha no instante derradeiro é Márcio Rosário, de cabeça, no canto.
Fluminense 3 a 2.

A festa é tricolor.
E o impossível também.